Archive | dezembro 2007

Por formatos de arquivo livres e abertos

À medida que os documentos reais se tornam virtuais, e o uso destes documentos virtuais se torna mais comum e popular, é fundamental que sejam tomadas medidas para proteger os cidadãos dos interesses do mercado. Isto é necessário porque nenhuma empresa tem como objetivo final o bem-estar das pessoas, mas, sim, o seu lucro, independente de quão bom sejam seus produtos.

Os consumidores e usuários não têm obrigação de entender a necessidade desses padrões. Cabe aos governos evitar o abuso por parte das empresas de tecnologia e impor limites à ganância dessas mesmas empresas.

Uma das razões mais fortes para o domínio do mercado de aplicativos de escritório pela Microsoft é este. Porque o sinônimo de formato para arquivos de texto é o DOC, para planilhas de cálculo é o XLS e para apresentações, o PPT/PPS, e todos pertencem à empresa.

Na era Digital, só existirá competição mercadológica digital leal e liberdade dos cidadãos-usuários quando houver padrões livres e abertos para os formatos de arquivo trocados entre as pessoas. E quando estes formatos forem de adoção obrigatória por todas as empresas fabricantes de software e pelos governos e instituições públicas de todo o mundo.

Isto não é ditadura. Tudo depende de como a coisa é feita.

A iniciativa do ODF (Open Document Format) mostra que a maneira mais democrática e rápida é criar uma associação de empresas, órgãos públicos e desenvolvedores independentes que tenham como objetivo a criação e melhoria dos padrões livres e abertos de formatos de arquivo, como é a OASIS (criadora do OpenDocumento Format, conhecido como ODF).

Essa associação, aliás, surgiria da própria OASIS, que deixaria de existir, mas seria a base para a criação da nova. Isto é necessário para dar mais credibilidade à associação, já que a OASIS foi criada por uma empresa privada (a Sun), ainda que com ajuda da comunidade de software livre. O ideal e mais seguro é que a associação seja diretamente ligada a um órgão como a ONU ou uma espécie de W3C, e com apoio explícito da OMC, que tem poder para determinar práticas de mercado.

As empresas poderiam continuar desenvolvendo seus próprios formatos, mas seriam obrigadas a dar suporte ao formato aberto padrão para cada tipo de arquivo. E os seus formatos deveriam ser obrigatoriamente compatíveis com o formato aberto e livre.

A Apple poderia manter o NUMBERS, mas também teria de dar suporte ao padrão aberto de planilhas de cálculo, e o NUMBERS deveria ser compatível com o formato aberto. Da mesma forma seria com a Microsoft e o seu XLS.

Não é preciso esperar que um formato se torne padrão pela sua popularidade. Governos e instituições não-governamentais devem se antecipar a isto para evitar a concorrência desleal e o monopólio no mundo digital.

Naturalmente, a associação teria de ser formada pelas empresas interessadas em contribuir com o desenvolvimento dos formatos. E essa associação deveria deixar aberta a possibilidade de a comunidade de software livre contribuir com o desenvolvimento. O peso destes participantes teria de ser o mesmo na tomada de decisões.

Alguns participantes fundamentais:

– Todo e qualquer desenvolvedor interessado
– ISO
– ABNT (no Brasil)
– Microsoft
– Adobe
– Apple
– Google
– Yahoo!
– OMA
– Motorola
– Nokia
– Sony
– Sony Ericsson
– Palm
– Intel
– AMD
– Nvidia
– ATI
– Nintendo
– BlackBerry
– Xerox
– HP
– Sun
– IBM

Além dos fabricantes e desenvolvedores de formatos de arquivo de música, vídeo e de outros sistemas operacionais, como os criados do MP3, AAC, MPEG, etc.

Assim como a IEEE determina padrões (lembre-se do FireWire), essa associação determinaria todos os padrões de formato de arquivo destinados ao uso pelo grande público.

Alguns padrões abertos e livres poderiam ser baseados nos já existentes e populares. Exemplos:

– Compactação: 7Z (do 7-ZIP)
– Vídeo: MP4
– Música: MP3
– Documentos protegidos (não-editáveis): PDF (da Adobe)
– Animações: SWF (do Adobe Flash)
– Vídeo portátil: 3GPP2 (da 3GPP)
Além dos já determinados pela OpenDocument Format Alliance:

– Documento de Texto: ODT
– Apresentações: ODP
– Planilhas e fórmulas matemáticas: ODS e ODF
– Imagems: ODG

Entre outros.

Alguns deles já se tornaram padrão por imposição do mercado (seja por parte das empresas ou dos consumidores), ainda que não sejam as melhores opções. Um deles é o MP3, formato antigo que perde para o AAC quando se compara a relação tamanho x qualidade.

Não há dúvidas de que os formatos tenham de ser abertos e livres. A questão mais importante e polêmica atualmente é QUEM vai determinar esses padrões.

E você, o que acha disto?

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